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Traumas na infância podem causar problemas psicológicos em jovens adultos com Fibromialgia

Publicado 02/03/2017
Notícias

Jovens adultos com Fibromialgia Juvenil (JFM), que têm história de trauma, têm taxas mais altas de distúrbios psicológicos, de acordo com um estudo intitulado “Clinical profiles of young adults with juvenile-onset fibromyalgia with and without a history of trauma”.

O estudo comparou pacientes JFM com e sem história de trauma durante oito anos, e os resultados foram publicados na revista Arthritis Care & Research.

Pacientes com Fibromialgia frequentemente relatam situações traumáticas  ̶  abuso físico ou sexual, negligência, divórcio dos pais, dificuldades financeiras  ̶  quando questionados sobre o seu passado. Estudos têm sugerido que uma história traumática poderia aumentar a dor nesses pacientes.

Um histórico de transtorno e estresse pós-traumático (TEPT) parece ser mais comum em jovens com JFM do que em adultos jovens saudáveis. Mas o seu impacto no resultado da doença de pacientes adultos jovens não tinha sido previamente abordado.

Neste estudo, os adolescentes com idades entre 13 e 18 foram questionados quatro vezes sobre sintomas físicos e psicológicos durante oito anos. Ao final do estudo, havia 110 participantes (86 com JFM e 24 indivíduos saudáveis) com idade média de 23 anos.

Para avaliar a história do trauma, os participantes foram perguntados se sofreram lesões, acidentes, abuso físico ou sexual quando criança e/ou adulto, ou testemunharam violência. Eles também foram solicitados a pontuar a intensidade da dor de acordo com uma escala de 11 pontos de classificação numérica (NRS), que varia de 0 (sem dor) a 10 (dor tão ruim quanto você possa imaginar).

Os sintomas dos participantes de Fibromialgia foram examinados utilizando o índice de dor generalizada (IDG) e a Escala de Severidade de Sintomas (EIS).

No total, 37 por cento dos participantes da JFM relataram ter sofrido experiências traumáticas (grupo de trauma), 17,2 por cento tiveram TEPT e 14,7 por cento foram abusados ​​sexualmente.

Quando os participantes foram examinados para detecção de distúrbios psiquiátricos, o grupo de trauma mostrou uma incidência significativamente maior de transtorno bipolar e ansiedade quando comparado com pacientes JFM que não relataram histórico similar. No entanto, não houve diferenças significativas na intensidade da dor ou nos sintomas de Fibromialgia entre os dois grupos.

Os pesquisadores concluíram que contrariamente à pesquisa anterior em Fibromialgia e JFM, os resultados do estudo indicaram que os adultos jovens com JFM e uma história de trauma tinham taxas mais elevadas de comorbidades psicológicas, mas não experimentaram mais dor ou piora do funcionamento físico, destacando a necessidade de futuras investigações nesta área.

"Com uma maior compreensão de como o trauma e a JFM se relacionam ao longo do tempo, os resultados físicos e psicológicos a longo prazo para estes pacientes podem ser melhorados", concluíram os autores.

Fonte: Clinical profiles of young adults with juvenile-onset fibromyalgia with and without a history of trauma. Nelson S., Cunningham N., et al. Arthritis Care Res (Hoboken). 2017 Jan 13. doi: 10.1002/acr.23192. [Epub ahead of print]. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28085990 (Acessado em 2 de fevereiro de 2017)