Dança do Ventre para o tratamento da Fibromialgia?
De 17 a 20 de setembro, na cidade de Maceió, ocorreu o Congresso Brasileiro de Reumatologia, onde mais de mil e novecentos profissionais se reuniram para discutir temas da especialidade. A Fibromialgia (FM) teve um lugar de destaque, com a apresentação do Consenso da Sociedade Brasileira de Reumatologia para o Tratamento da Fibromialgia. Este consenso foi o resultado de uma reunião de cerca de cinqüenta médicos especializados no tratamento da Fibromialgia, e servirá de base para orientar outros profissionais no manejo deste problema. Trataremos deste consenso em outros editoriais, pois ele ainda está em fase de redação final.
Nestes congressos também são apresentados trabalhos de pesquisadores na Fibromialgia. Um trabalho que chamou a atenção foi apresentado pela Universidade Federal de São Paulo sobre o uso da dança do ventre no tratamento da FM. O estudo foi realizado com 40 mulheres portadoras de Fibromialgia, que se submeteram a duas aulas de dança do ventre por semana, de uma hora de duração, por quatro meses. Elas foram comparadas com 40 pacientes que fizeram exercícios regulares. Após este tempo, as pacientes que realizaram as aulas de dança do ventre demonstraram melhora da dor, da resistência, do estado geral de saúde, da vitalidade e dos relacionamentos sociais, em comparação com as pacientes do grupo-controle.
Isto significa que todas as pacientes com FM devem fazer dança do ventre, mesmo que não gostem ou não se sintam à vontade? A resposta é não, mas o estudo serve para mostrar que não existe atividade física que não seja útil para pacientes com Fibromialgia, e que estas podem sempre experimentar diferentes modalidades de exercício, mesmo uma mais exótica como a dança do ventre. Na discussão com a autora do estudo, ela deixou claro que auto-estima das pacientes melhorou muito, não se importaram de ficar “de barriga de fora” e até fizeram uma apresentação no final do curso para seus familiares, que gostaram muito!
Eduardo S. Paiva
Reumatologista
Chefe do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPR, Curitiba
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