Como medir a dor?
Muito se fala sobre o fato da dor ser uma experiência pessoal e que é muito difícil para uma pessoa saber se a outra está realmente experimentando dor e o quão intensa é essa dor. Realmente, não há uma maneira fácil de se medir a dor, mas algumas ferramentas podem ser usadas, para que pelo menos possa haver um acompanhamento do paciente com dor.
É importante salientar que a dor sempre tem dois componentes, um sensorial e outro emocional. O componente sensorial indica a localização da dor, seu tipo e sua intensidade. A parte emocional relaciona-se especialmente com o grau de desprazer, irritação e tristeza que a dor traz. Inclusive, já se estabeleceu que a parte sensorial e a parte emocional da dor são interpretadas em lugares diferentes do cérebro.
Pela existência destes dois componentes, é importante que os dois sejam levados em consideração quando se avalia a intensidade da dor. Um método comum de avaliação é a “escala visual analógica”, quando se mostra uma régua marcada de 0 a 10, e se pergunta qual a nota que o paciente dá para a sua dor, com 0 marcando ausência de dor e 10 o máximo da dor. Isto pode ser feito tanto com a intensidade quanto com o grau de desprazer que a dor traz.
Numa condição como a fibromialgia (FM), a avaliação da intensidade da dor é importante, mas insuficiente. Como na FM vários outros aspectos estão presentes, como as alterações do sono, fadiga, ansiedade e depressão, são necessários instrumentos que avaliem o paciente de maneira o mais global possível. Para isso, utilizamos o FIQ (Questionário de Impacto da Fibromialgia ), para avaliar a qualidade de vida do paciente com FM. É um questionário de 10 perguntas, que avalia desde as atividades de vida diária, a dor, o cansaço, o sono e os aspectos psicológicos.
Para que o FIQ torne-se útil para o acompanhamento de pacientes com FM, é importante que tenham a máxima sinceridade ao responder o questionário, e usar somente suas respostas pessoais. É comum, na sala de espera, as pacientes perguntarem aos acompanhantes o que devem responder!
Por fim, os questionários e escalas são mais um recurso que podemos utilizar para auxiliar o tratamento de pacientes com FM, mas não substituem uma boa conversa e exame físico pelo profissional de saúde.
Eduardo S. Paiva
Chefe do ambulatório de fibromialgia – HC-UFPR
|