Fibromialgia e Gravidez
Embora a Fibromialgia acometa principalmente mulheres, os estudos do impacto da Fibromialgia (FM) em uma gravidez e vice-versa são muito raros. Isto talvez se deva pela média de idade das pacientes com FM ser um pouco mais perto da menopausa (40 anos), quando a fertilidade é menor. Mas mesmo assim, existem várias pacientes com FM na idade reprodutiva plena, portanto o assunto é com certeza digno de ser melhor explorado.
Um estudo na Noruega com 36 pacientes com FM que engravidaram mostrou que em todas as pacientes, os sintomas tenderam a piorar na gravidez, especialmente no último trimestre. Após o parto, houve novamente mudança dos sintomas, com apenas quatro das pacientes relacionando melhora e a grande maioria uma nova piora dos sintomas. Houve também aumento da ansiedade e depressão pós-parto em grande parte das pacientes. Em todas as gravidezes, não houve um maior número de problemas com a saúde do recém nascido.
Os motivos para a piora dos sintomas são múltiplos, e incluem as alterações hormonais, a diminuição da atividade física, a insegurança e a ansiedade relacionadas com a presença da FM na gravidez e a necessidade de interrupção de certas medicações. Os sintomas que mais tendem a aumentar o desconforto durante a gravidez são as cãibras, as náuseas e os vômitos do primeiro trimestre, contrações uterinas, a falta de sono e cansaço e até dores na base da barriga, pela pressão da cabeça do nenê.
Isto significa que a mulher com FM deve abrir mão da experiência única de ser mãe? Certamente que não, mas um bom planejamento pode minimizar o desconforto da gravidez e torná-la um período pleno de satisfação.
Envolver o esposo e o resto da família é importante, para que haja o apoio e a compreensão de todos. Outros conselhos úteis:
- Lembrar que a FM não acarreta maior número de abortos espontâneos.
- Muitos dos sintomas serão da gravidez e não da FM, como a dor lombar.
- Discutir com seu médico como diminuir a náuseas e os vômitos no primeiro trimestre, como comer alimentos mais secos, em menor quantidade e mais vezes ao dia.
- Procurar sempre se exercitar, mesmo que levemente, fazendo caminhadas leves e alongamentos.
- Permitir-se maiores períodos de descanso no primeiro e no terceiro trimestres.
- Usar analgésicos permitidos na gravidez, como o paracetamol.
- Conversar com o médico obstetra sobre analgesia durante o parto, e se uma cesariana for o procedimento de eleição, uma analgesia pós-operatória deve ser satisfatória.
Outros aspectos da gravidez na FM ainda carecem de estudos, como por exemplo, se alguma medicação para o sono ou depressão pode ser usada com segurança e a relação da FM com a fertilidade do casal. A paciente deve trabalhar junto com o obstetra e com o reumatologista para que a gravidez transcorra da melhor maneira possível.
Eduardo S. Paiva
Chefe do ambulatório de fibromialgia – HC-UFPR
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