Fibromialgia e Hormônio de Crescimento
Na fibromialgia (FM), várias alterações hormonais são encontradas, especialmente na secreção da cortisona (que o ser humano produz naturalmente) e o hormônio de crescimento. Essas alterações se devem a uma complexa relação de diversas estruturas cerebrais – todos os centros da dor e do stress encontram-se no cérebro, e ali também está o hipotálamo, que regula a secreção de vários hormônios, entre eles os dois citados anteriormente.
Focando-se mais especificamente no hormônio de crescimento (sigla em inglês GH), vários estudos mostraram uma diminuição dos níveis desta substância nos pacientes com fibromialgia. Isso não é tanto uma surpresa, já que o GH é secretado durante o sono profundo, e os pacientes com FM habitualmente apresentam um sono interrompido e com menores períodos de sono profundo.
Apesar do nome, o GH não é necessário somente para o crescimento de crianças. Na adultez, ele é responsável por manter um grau de massa muscular e diminuir a deposição de gordura. Baseado nisso, um estudo no final dos anos 90 demonstrou que pacientes com FM que receberam hormônio de crescimento por pelo menos seis meses tiveram uma melhora no seu bem-estar geral. O estudo durou nove meses, e o benefício só apareceu após seis meses, portanto o benefício não é imediato.
O problema é que o custo de hormônio do crescimento é alto, e provavelmente nunca será liberado pelo governo para a FM. Um estudo que foi publicado recentemente avaliou a utilidade da piridostigmina, uma medicação muito mais barata, que aumenta a liberação do GH pela hipófise. Porém, o uso contínuo desta medicação não trouxe benefícios aparentes para pacientes com FM.
Entretanto, a história do GH na fibromialgia está longe de acabar. Novos estudos estão sendo feitos para esclarecer melhor a relação entre esta substância e a FM, e novos medicamentos que estimulam a liberação deste hormônio estão sendo investigados.
Eduardo S. Paiva
Chefe do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPR, Curitiba
|