Hipermobilidade Articular
Uma das causas de dor articular, especialmente em jovens, é a síndrome da hipermobilidade articular. Isto acontece quando as articulações são mais móveis do que o normal e mais predispostas a lesões. Este tema é um pouco controverso, já que não é incomum pessoas normais possuírem articulações hipermóveis, especialmente meninas na pré-adolescência. Por isso, critérios restritivos foram criados para caracterizar a síndrome. Utiliza-se um sistema de pontuação, da seguinte maneira:
1. Ser capaz de encostar o polegar na parte de dentro do antebraço, ajudado pela outra mão (um ponto cada lado).
2. Ser capaz de puxar a mão para trás até o 5º dedo (mínimo) ficar paralelo com o antebraço(um ponto cada lado).
3. Esticar o cotovelo além da posição reta, mais de 10 graus (um ponto cada lado).
4. Esticar o joelho além da posição reta, mais de 5 graus (um ponto cada lado).
5. Ser capaz de tocar as palmas da mão no chão com as pernas esticadas (um ponto se conseguir)
Pacientes com pontuação maior do que 5 (de 9 possíveis) possuem a síndrome de hipermobilidade. E o que isto interessa para pacientes com fibromialgia? Alguns estudos mostram que a hipermobilidade pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de fibromialgia. Isto se deve provavelmente ao trauma crônico, sensibilizando o sistema nervoso central e levando à dor crônica. Obviamente, esta não é uma causa isolada da fibromialgia, mas a hipermobilidade deve ser avaliada em pacientes jovens com dores difusas.
A síndrome de hipermobilidade tende a melhorar com o tempo, dado ao envelhecimento natural de articulações e ligamentos. O tratamento baseia-se principalmente em atividades físicas aeróbicas e fortalecimentos musculares; apenas atividades de muito impacto devem ser evitadas. Em caso de persistência de dores, inchaço das articulações, fragilidade da pele ( o que pode indicar hiperelasticidade cutânea), um reumatologista deve ser procurado.
Eduardo S. Paiva
Reumatologista
Chefe do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPR, Curitiba.
|