RELAXANTES MUSCULARES
Sendo a fibromialgia uma condição que se manifesta como dor muscular, é intuitivo pensar que relaxantes musculares possam ajudar no controle da dor. Existem várias medicações que estão no mercado como relaxantes musculares, mas o modo de ação de cada uma delas varia consideravelmente, e seu uso na fibromialgia pode ser otimizado se aplicarmos estas medicações de maneira adequada.
A CICLOBENZAPRINA foi o primeiro relaxante muscular testado na fibromialgia, e até hoje um dos mais utilizados. Seu efeito melhora a dor e o sono dos pacientes. Isto se explica porque a ciclobenzaprina apresenta alguns efeitos semelhantes aos dos antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina. Ela age aumentando o tempo em que o paciente permanece em sono profundo, que desta maneira alcança um maior relaxamento muscular. Como a maioria dos pacientes com fibromialgia apresenta um sono não reparador, esta ação da ciclobenzaprina é duplamente benéfica.
Deve-se ressaltar que a ciclobenzaprina, embora seja um composto tricíclico, não apresenta ação antidepressiva. Na maioria das vezes, deve-se começar com uma dose pequena, que deve ser aumentada gradativamente, para evitar-se excesso de sedação. A dose, na opinião deste autor, deve ser sempre única e à noite, ao deitar-se. Se houver sedação indesejada no dia seguinte, pode-se adiantar a dose em 1 a 2 horas. Os efeitos colaterais mais comuns são sedação, boca seca e tontura.
A TIZANIDINA é um relaxante muscular de ação ainda não bem esclarecida, mas provavelmente age em um sistema cerebral conhecido como sistema adrenérgico. Uma maior atividade deste sistema levaria a um maior relaxamento muscular. A tizanidina também pode possuir um efeito direto no músculo, ainda não definido. Ela possui também uma ação sedativa, com melhora do sono, porém menor que a ciclobenzaprina. Estudos recentes mostram que seu uso em altas doses, à noite, pode ser mais útil na fibromialgia do que a dose habitual recomendada, mas os efeitos colaterais também são maiores, incluindo sedação e tonturas.
Outros relaxantes musculares como a clorzoxazona, o carisoprodol e a orfenadrina, estão no mercado há muito tempo e não foram formalmente estudados na fibromialgia. Estão freqüentemente associados com analgésicos e antiinflamatórios. Este fato deve sempre ser levado em consideração, pois muitas vezes o paciente acha que está tomando somente relaxantes musculares, e os outros compostos podem estar relacionados com efeitos totalmente diferentes, como visto nos editoriais anteriores sobre analgésicos e antiinflamatórios.
Eduardo S. Paiva
Reumatologista
Chefe do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPR, Curitiba
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